Certamente todo mundo já ouviu essa expressão inúmeras vezes e em diversas situações. "O pulo do gato" pode se referir a infinitas situações, desde as mais simples às mais complexas. Porém, seu significado permanece inalterado. Sua abrangência é tão vasta por uma razão bem simples: o pulo do gato é algo que nos mesmeriza a atenção; é algo que nos captura por um breve instante como se eterno fosse; é um segundo que se transforma numa vida inteira.
Trago essa expressão à tona na tentativa de esclarecer alguns pontos de minha própria existência, cujos efeitos ou resultados considero conseqüências de sua ação concreta e imediata.
Todos, sem dúvida, podemos remeter alguns momentos ou certas situações de vida à ação do "pulo do gato": seja uma proposta de trabalho; um encontro inesperado com alguém; uma idéia repentina que toma conta de nossas mentes; ou, ainda, um lampejo de certeza e segurança infinitas que assombram até mesmo o mais crédulo dos sujeitos.
"O pulo do gato" acontece em nossas vidas à medida que nos arriscamos: quanto mais atravessamos a barreira do conforto, quão distante nos movemos em relação à norma ele se faz presente. Contudo, pode "o pulo" ser fruto de um esforço contínuo e regrado numa mesma direção, no seguimento inquestionável da regra, da norma que nos absorve no espectro do mundo.
No meu caso, no entanto, "o pulo" se deu pelas constantes e drásticas mudanças de atmosfera, de ambiente, de línguas e culturas às quais me submeti. De uma forma ou de outra, minha vida é repleta de "pulos", "saltos", "viradas de mesa" as quais muitos descriminariam ou experimentariam pavor.
Este sentimento de pavor, de medo, que imobiliza a maioria, para mim sempre serviu como força motriz ou propulsora de mudanças.
Mudanças que exigiram de mim grande capacidade de adaptação e flexibilidade para lidar com pressões atmosféricas distintas, com ambientes inóspitos, com línguas e culturais exóticas.
Contudo, percebo que o "pulo" se apresenta conforme e à medida que me coloco no mundo, que me relaciono com as pessoas e comigo mesmo, com meus interesses e desafios internos.
Pergunto-me: quais seriam os desafios, hoje, em minha vida? Estabilidade? Um emprego para a vida? Casamento? Uma nova profissão?
Certamente, perguntas não faltarão e nunca cessarão de existir. Talvez sejam elas mesmas que me movem, que me impulsionam no fluxo da vida, da minha vida. Espírito inquieto, atravessado no meio de existências. Assim eu sou.
De "pulo" em "pulo" vou procurando respostas para minhas perguntas. Caminho, assim como todo mundo, uma trilha de perguntas, questões infinitas e inalcançáveis. Insidiosas perguntas que não calam, nem mesmo à beira do precipício. Pulo. Não sei onde vou aterrisar. Esse é o verdadeiro salto: quando não se sabe onde vai pousar. Todos os outros saltos - os que estamos acostumados, os que não provocam medo, os que não nos fazem hesitar por um instante, os que não causam mal-estar - são apenas passos.
Alguns nasceram para caminhar, outros para saltar.
O salto é fundamental para o crescimento individual, para a auto-realização, para encontrar uma resposta para as questões inexoráveis da vida.
"O pulo do gato" é o equilíbrio entre o cair e o voar, entre o permanecer e o mudar. É no infinitivo. É no presente. É no lugar.
Vamos pular? Ou você prefere caminhar?
Wednesday, November 10, 2010
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